sexta-feira, 15 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

RESPOSTAS À PERGUNTAS PARA A RÚBRICA, A MINHA GUERRA

FEZ PARTE DE QUE BATALHÃO?

Não fiz parte de batalhões porque a Marinha no Ultramar não funcionava com esse tipo de unidades. Nos fuzileiros funcionava-se com unidades autónomas que eram os Destacamentos de Fuzileiros Especiais, e as Companhias de Fuzileiros Navais ou mesmo, pelotões de reforço.
Fiz parte do Destacamento de FZE nº 6 em Angola entre 1963e 1965, e de 1966/1968 na Companhia nº 10 de FZ. Estas duas unidades foram comandadas pelo mesmo Comte. e de ambas fizeram parte alguns Marinheiros Cabos e Sargentos.

QUANDO É QUE CHEGARAM?

A chegada a Luanda acontece no dia 30 de Setembro depois de longos 9 dias. Esta minha primeira viagem, ficou marcada por um episódio que retrata, de alguma forma, a força, que os homens têm, quando há união de esforços, e se o espírito de camaradagem é forte, a capacidade é enorme. É assim que ao segundo terceiro dia de viagem os homens de Marinha embarcados, resolvem unir-se para levar a efeito um levantamento de rancho. Tendo germinado a ideia, tentei e consegui com alguma dificuldade, aliciar um camarada já com vários anos de vida Militar, tendo recaído sobre o saudoso Vinhais, que tinha já dado luta à União Indiana, quando nos resolveu atacar. Tendo feito com ele o curso de Fuzileiro Especial, era notório o respeito que por ele se tinha, porque para além do seu porte físico e da idade, era daqueles difícil de torcer. A estratégia traçada é colocada em marcha mesmo tendo em conta, que éramos quanto muito, 4% do total dos militares embarcados. É fácil concluir que era um objectivo bem difícil de concretizar. Mas a decisão foi tomada, e colocada em prática no terceiro almoço da viagem. Ninguém da marujada comeu. Todo o outro pessoal, que daquele primeiro grupo fazia parte, não percebendo o que se estava a passar, tentaram alguns, reforçar a sua refeição, o que não foi por nós permitido. Depois, outros acontecimentos subjacentes aconteceram, mas que soubemos sempre ultrapassar, com a força que nos dava o nosso espírito de corpo.

SOUBE LOGO PARA ONDE IA?

Nos Fuzileiros não havia pessoal obrigado, logo, eu e muitas outras centenas de camaradas, foram voluntários várias vezes: para a Marinha, para Fuzileiro, para tirar o curso de FZE, e para fazer parte da unidade a que também aderiram para o ultramar, assim aconteceu comigo as duas vezes. Portanto sabíamos para onde íamos e tínhamos uma noção muito aproximada da realidade que íamos enfrentar, em cada um das províncias, se assim não foi no inicio da guerra, logo a seguir, todos iam com a consciência do que se iria ter pela frente, para tanto, a partir dos fins de 63 todas as unidades de Fuzileiros que foram para o ultramar, levava pessoal já com experiência de guerra. Logo que se chegava, imediatamente se era aliciado para fazer parte de uma nova unidade em formação. Assim aconteceu durante os treze anos do conflito. Muitos dos voluntários que se alistaram na Marinha e que foram para a especialidade de Fuzileiro, aos vinte e dois anos muitos deles, tinham já no seu curriculum duas comissões, tenho muitos filhos da Escola, com quatro permanências, algumas divididas pelas três províncias. Esta é uma característica, muito específica, que traziam ao grupo, um valor acrescentado de grande valia. Porque uma unidade que disponha de vários homens com tanta experiencia, solidificava o grupo pela confiança que davam à vertente humana, que depois se projectava na sua acção em combate. A Marinha terá sido a arma que mais beneficiou de pessoal voluntário, na casa dos 17 anos e menos até, uma voluntariedade que foi estrategicamente aproveitada, para o preenchimento dos quadros, jovens que cedo se emanciparam da sua juventude, pelas responsabilidades que antes de tempo, tiveram de assumir.

O QUE SENTIU QUANDO CHEGOU?

Da primeira vez, chegados a Luanda as expectativas eram algumas, será fácil concluir quais, algumas delas. A aproximação que se fazia lentamente, ao porto de Luanda dava uma sensação de bem estar, fazendo esquecer as diabruras, a que uma guerra pode conduzir os homens, e do alivio das dificuldades sentidas naquela viagem que estava prestes a terminar. Havia um desejo enorme de convivência com aquela nova realidade, que nos era oferecida pela existência de um conflito, que ainda nos era marginal mas que, já flutuava na nossa imaginação. Entrar em contacto com aquela nova realidade em que íamos estar inseridos, enriquecia -nos a imaginação em todas as suas vertentes. Estava ali à mão uma nova cultura para desfrutar, e isso só por si já era aliciante para um jovem com dezoito anos, a questão do confronto mais belicista, teria em cada momento, a réplica mais adequada em função da instrução adquirida, que nos dava alguma capacidade e conforto.

COMO FORAM OS PRMEIROS TEMPOS?

Terminada a viagem onde por alguns momentos até nos fez sentir uns ilusórios privilegiados, estava agora para começar a interiorização da peça de teatro ensaiada pelos mentores daquela guerra de cujas razões, não entendíamos muito bem. Não faltava muito, para que passássemos de meros espectadores a actores, sem direito a palmas, mas a tiros a sério, e não de cerimónia.
Nos primeiros dois meses foi uma adaptação ao clima, com treinos intensivos das práticas adquiridas no curso. Seguidamente o Zaire foi o nosso primeiro salto da Cidade. Depois regressamos a Luanda substituindo outro Destacamento que esteve em intervenção. Ao tomarmos a sua missão, somos incumbidos de fazer uma operação, numa zona pouco infestada de guerrilheiros, mas onde o grau de dificuldade, pela falta de água sentida, foi muito e dolorosamente sentida. Só não houve a lamentar, os efeitos de algum descontrolo, porque a nossa capacidade de resistir às adversidades, ajudou a dar volta por cima. Dois dias e duas noites só com um cantil de água, é obra tal, que um ser humano se obriga a beber, o que é impensável. Lembro todo aquele grupo, vencido fisicamente num charco onde havia esqueletos de animais que ali morreram, onde se procurava algumas gotas que ajudassem as gargantas sequiosas. O Camarada Russo e o Esquelas assim éramos tratados não se resignaram e acabaram por descobrir a alguma distancia um nascente, sim! Porque ali se iniciava o que mais adiante se transformava numa ribeira. Passados mais de quarenta anos, não consigo conter uma forte admiração e respeito, por todos quantos, de todos os quadrantes, passaram por situações semelhantes.

QUANDO VOLTOU?

O regresso desta primeira estada na guerra tem início, em Luanda a 23 de Outubro com chegada a Lisboa a 02 de Novembro de 1965 vinte e cinco meses depois de ter partido. A segunda etapa da minha guerra, medeia o dia 08/06 /66 e 05/08/68 o que perfaz 47 meses em África, para onde fui sem carta de chamada, e sem pagar viagens. E que hoje, apenas nos dá direito, a não ser respeitado por alguns aprendizes de feiticeiros que não tiveram, não têm, e julgo que jamais terão respeito pelos Ex COMBATENTES, que tudo deram e nada pediram. Resta-nos apenas, o direito à indignação. Foi grande o contributo que demos ao País, e lhes proporcionamos até, acharem-se com o direito, a não terem apreço por quem deu o melhor da sua juventude, e muitos a vida. Quando a ingratidão, não tem justiça nem razão, nunca será boa solução, dos timoneiros da nação! Mas muitos deles, assim são! Por isso a minha indignação.
Não fora os grandes amigos e camaradas, que resultaram dos meus quase oito anos de vida militar e tinha sido um tempo para não lembrar. Para além disso, como Fuzileiro uma vez fuzileiro para sempre, faz jus ao nosso lema, e de que muito me orgulho, bem como todos que por aquela casa passaram, cá me vou amparando psicologicamente, encontrando alguma realização, no contribuindo possível que vou dando na Associação de Fuzileiros, que se propõe unir esta nossa família, que dispersa pelo mundo encontra nesta identidade a forma de dar vida ao património de valores que são os Fuzileiros.

QUAL FOI O DIA MAIS MARCANTE? E PORQUÊ?

É mais que um, os dias que me marcaram. Um deles foi aquele em que, na saída para a segunda comissão em que o Niassa se deslocava paulatinamente em direcção à barra, e por estibordo aparece no bairro de São Mateus, com um grande pano branco que desfraldado nos acenava. Aquele sinal tinha-me especialmente, como destinatário. Era a minha Madrinha de Guerra da primeira comissão, agora já Namorada e hoje, minha Companheira, que fazia de sinaleiro, como se chama na Marinha, que me enviava uma mensagem bem descodificada aos olhos de todos quantos se aperceberam daqueles sentidos sinais de adeus.
Antes, em Março de 1964, quando debaixo de fogo depois de ter levado um tiro, algumas pedras espantadas pelos tiros que não me acertando me causavam uma sensação estranha demais para poder ser compreendida por muitas das pessoas que nunca estiveram sequer debaixo de fogo.
Mais tarde, já na vida civil, foi quando encontrei um amigo do Exército, com quem tive um episódio em Cabinda nas margens da lagoa do Massabi, a quem fui, e aos seus dois companheiros, muito útil naquelas circunstâncias de algum dramatismo. Hoje continuamos como irmãos amigos.
Depois, ver partir camaradas de quem já éramos amigos, ou quando no rio Zaire essencialmente, se encontravam cadáveres deslizando na corrente ou presos na margem. São várias as imagens retidas no nosso disco rígido, que mesmo com algum desgaste, jamais dele se apagará, o quanto nos marcou profundamente.

O QUE LHE LEMBRA A GUERRA?

A guerra, para quem nela tenha participado, é lembrada sempre de forma a contemplar o que cada um sofreu ou viveu. As emoções, que provocam a lembrança da guerra, é, em cada momento o reflexo do estado anímico e emocional, que cada estado de alma alimenta. Mas em termos gerais a lembrança reparte-se por duas situações, as más, e as boas recordações, no entanto, a experiencia vivida diz-me, que a guerra não foi, não é, e nunca será uma solução definitiva para resolver as razões, de algumas das partes envolvidas. Portanto: guerra! Não. Porque nunca será solução.

FAZEM-SE IRMÃOS?

É evidente que se estruturam amizades de tal forma puras que nem sempre existem entre irmãos. Quantos não deram a vida tentando salvar a vida do camarada! O meu exemplo é paradigmático do que acontece certamente com muitos outros. Somos quatro irmãos, só um não foi ao ultramar. Tenho convivido muito mais com camaradas da minha guerra, do que com os meus irmãos, e muito especialmente depois da existência da Associação, participo em aniversários, sou convidado para casamentos, para passar férias em suas casas e isto, acontece-me do Minho ao Algarve. Dado o ênfase com que oferecem, até me custa não poder ser-lhes agradável. Dará para fazer uma ideia aproximada, destas realidades, ao dizer-vos sem exagero, que durante o tempo em que um camarada esteve muito debilitado de saúde, mesmo não sendo da sua família de sangue, recebia diariamente dezenas de chamadas para informar do seu estado, mesmo depois de ter passado a crise, não deixo de ainda receber o pedido de informação quanto ao estado do camarada em causa. Portanto, nós, e falo dos Fuzileiros por ser o que melhor conheço, somos uma família com muita afectividade, e isto acontece mesmo em relação aos que não participaram na guerra, ou que ainda no activo continuam a honrar e dignificar o bom nome dos Fuzileiros e de Portugal nas agora missões, chamadas de paz. E como não podia deixar de ser, em todas elas há quem, no seu percurso se desequilibre, e saia do caminho que é percorrido pela maioria.

ESTEVE DEBAIXO DE FOGO?

Tendo pertencido a uma força de elite, foram muitas as vezes que estive sobre o silvar das balas e de outro fogo do inimigo, e mesmo antes, no exercícios houve logo ai uma familiarização, que nos deu depois alguma capacidade de controlo para os confrontos que a guerra a sério, nos reservava. Mas, por ironia do destino, quando cai na primeira emboscada, na região dos Dembos mata 28 de Maio, decorria o ano de 1964, acabado de fazer os meus dezanove anos, fui atingido com um tiro sem o ter ouvido, era o primeiro homem da coluna que seguia cuidadosamente o trilho emparedado por uma guarda de honra muito alta de capim. Calcorreava com passos lentos e cuidadosos a picada, quando sinto na coxa esquerda, um tremendo choque, ouvindo de imediato, o som do tiro seguido de algumas rajadas. Estava ditado o primeiro Fuzileiro ferido em combate na província de Angola. Consigo mesmo ferido, desviar-me da zona fustigada, dado que fogo se concentrava na cabeça da coluna, nem mesmo assim, me consegui furtar ao choque das pedras levantadas pela acção dos tiros concentrados no local onde me encontrava. Foi um dia de sorte, porque para além de o tiro me ter varado a perna, não me atingiu, por pouco, uma zona que me deixaria deficiente motor, isto foi-me dito pelo médico no hospital de Luanda para onde fui em pouco tempo, transportado, tendo passado primeiro por Santa Eulália, onde estava um hospital de campanha e depois de DO para Luanda.
A operação estava no primeiro dia. E esta primeira recepção aconteceu, pelas 3 horas da tarde, tendo a operação continuado por mais nove dias, onde ainda morreu um camarada, e um oficial foi também ferido ficando deficientado da perna direita. Soubemos pelos soldados que guarneciam o quartel de Nambuangongo, onde pernoitamos a noite anterior do inicio da operação chamada terceiro ano, de que a zona que nos destinaram, era a mais complicada. Esta acção envolveu muitas centenas de militares, mas a batata que mais esquentava calhou ao Destacamento nº6 de Fuzileiros, que por estar desfalcado de alguns de seu efectivo, foi connosco algum pessoal do exército, alguns deles tinham já participado em algumas tentativas para entrar naquele fortim da guerrilha mas sempre sem êxito. Mas como não há duas sem três, desta foi de vez. E vou aqui lembrar um episódio muito marcante passado, no já falado posto de Massabi em Cabinda, quando decorria o segundo ano da minha segunda comissão. Tinha na altura vinte e dois anos e era o Cabo de Rancho, o que me obrigava às vezes, a ser um relações públicas quando éramos visitados pelos camaradas do Exército que de quando em vez vinham jogar futebol connosco. Naquele dia, o jogo era maioritariamente com um grupo de homens que tinham pertencido à guerrilha, e que tendo-se entregado com armas e bagagens, constituíam os chamados T`ÉS. O pessoal menor até ao nível de sargento comiam no refeitório, assim sendo, coloco à minha frente o ex. guerrilheiro agora graduado em Sargento. Está bom de ver, que logo puxei a conversa para a guerra em que estávamos envolvidos, e a minha primeira surpresa foi, quando a certa altura da conversa, me dizia que não atravessavam o rio Zaire porque havia muito receio daqueles homens diabólicos que do outro lado impunham muito respeito, sem se aperceber, que estava a falar com alguém que muitas vezes tinha patrulhado aquela fronteira, por isso subiam o rio em barcos, navegando sempre muito encostados ao Congo e passavam por terra a seguir a Noqui. Havia uma regra que tendo alguma lógica, não era por nós cumprida, que era estabelecida pelo meio do rio, como limite para ambos os lados, mas prevaricar dava-nos algum gozo, e algumas vezes os fomos perturbar à outra margem, o que felizmente nunca passou do chinfrim, da sua indignação.
Então o camarada Sargento ex. guerrilheiro da FNLA, para além do desabafo, contínua respondendo às questões que lhe ia colocando, a certa altura da minha intrusão nas suas memórias, diz-me que actuou na zona dos Dembos mata vinte e oito de Maio. Naquele momento fiquei totalmente suspenso da interessante debitação que tranquilamente me fazia. Não me contive e, pus-lhe a seguinte questão! Conhecias a casa de zinco? Conheço muito bem, uma vez foi lá um pessoal e durante uma semana deram cabo de tudo, queimaram os haveres que tínhamos guardado, queimaram as casas e tudo. Então perguntei e não deram fogo nessa gente? E aqui, eu fiquei arrepiado, tal como me está a acontecer neste momento. Sim! Mesmo antes de entrarem na mata, nós matámos. Descurpa: mas tu perguntaste! Ok! Não tenhas medo porque ninguém te faz mal, a guerra é assim mesmo infelizmente. Então diz lá! O pessoal já estava perto da mata e nós fizemos emboscada, e logo a seguir o avião veio buscar morto. Como estava de calções, imediatamente me levantei e mostrei-lhe a cicatriz da entrada e saída da bala com que me tinham acertado. Custou a acreditar, que não tenha naquela emboscada morrido alguém, porque estavam a ver-nos progredindo dentro do capim, e o primeiro tiro, tinha sido apontado pelo célebre mata alferes, guerrilheiro que também terá morto o Libânio Amorim, e ferido o Correia de Barros, no seguimento da operação.
São pois, momento que jamais se esquecerão enquanto a nossa memória funcionar com razoabilidade.

A GUERRA MARCA PARA SEMPRE?

Quem disser que a guerra não lhe deixou marcas, estará a meu ver, a fugir à verdade do que lhe dita, a sua consciência. Mesmo aqueles, para quem a guerra foi um passa tempo, umas férias, ou mesmo um bom investimento, e esses também os houve, e muitos, são também necessários. Uma boa retaguarda é muito importante, e, nem sempre esteve altura dos que, do seu bom desempenho necessitavam. Portanto, ficam sempre, quanto mais não seja, as marcas que vemos nos outros, ou as do bem bom, porque se tenha passado. Mesmo os que mais deram o corpo ao manifesto, no confronto directo da guerra têm certamente algumas marcas positivas.

Não quero desperdiçar esta oportunidade para dar o meu recado a quem exijo, que se retrate com verdade, e peça desculpa a tantos milhares de homens que estiveram em Angola, e que repudiam as mentiras, de quem por obrigação do seu estatuto, se esperava que não fosse tão bruto, inconveniente e falso, sinto-me reconfortado, pela minha deontologia, (mesmo não sendo médico) e não ter, tal cultura académica.

Sou o Mário Henriques Manso, nascido a 23 e Janeiro de 1945. Casado, e com uma descendente. Assentei praça em 1962 com dezassete anos, como Voluntário. Aos vinte e três, com o posto de Cabo tinha já afeito duas comissões em Angola, estando no tempo, ao abrigo do curso de Sargentos, não o frequentei, por ter tido um conflito, que quase passava do verbal, com o imediato da minha segunda unidade, já na Escola de Fuzileiros. Tudo por não ter aceitado a forma decomposta, como utilizou os seus poderes, para acerto de contas mal geridas que remontavam a África, episódio passado em Belas no fim da comissão quando na qualidade cabo de rancho não abdiquei de uma faculdade que tinha direito. Por consequências desse facto pedi a minha passagem à disponibilidade, tendo saído da Marinha a 14 de Agosto de 1969 (sem no entanto, nunca ter saído dos Fuzileiros) Seguidamente, ingressei em 02 de Outubro na TAP, onde na Direcção Geral de Manutenção e Engenharia, terminei ao fim de 36 anos, a minha carreira contributiva, com 42 anos de efectividade de descontos. Pertenço aos Corpos Sociais da Associação de Fuzileiros desde as suas primeiras eleições em 2000, tendo humildemente contribuído, para esbater as opiniões dos que tudo fizeram para que os Fuzileiros nunca se organizassem civilmente, porque, segundo é dito, o poder Militar e Politico, diziam em tempos idos, de que: OS FUZILEIROS DESORGANIZADOS SÂO PERIGOSOS, ORGANIZADOS, SÂO MUITO MAIS. O que nunca foi verdade, porque são, e sempre foram homens de bem, sempre gostaram foi, de acertar contas, por isso, não têm dividas.
Mário Henriques Manso

terça-feira, 24 de agosto de 2010

AQUELA NOITE:

Tenho necessidade de vez em quando, escrever qualquer coisa sobre peripécias vividas, nestas férias que a morte vai proporcionando a cada um de nós.
Porque ao lembrar-me dos amigos que por aqui vão passando, acho que devem poder desfrutar de uma historieta nova.
Quando um destes dias numa conversa entre camaradas Fuzileiros, tomava corpo a ideia, de que, quando se contam as histórias vividas há tantas dezenas de anos, que a sua veracidade, é envolvida por muita ficção.
Ora bem: não tem forçosamente que assim ser, porque todos, vivemos episódios, que temos bem marcados na nossa memória, que não precisam de retoques para lhes dar mais ou menos credibilidade.
Quando se é jovem, pode ao mesmo tempo ser-se imaturo e ingénuo, porque estas duas realidades são fruto da mesma árvore, apenas com sabores diferenciados.
Proponho-me, e é uma tentativa apenas, dar aos meus amigos a hipótese de viverem uma situação, em que vos gostaria de envolver, de tal forma, que vos leve a sentirem-se parte do meu grupo de combate.
Certo dia, foi o meu Destacamento incumbido, desenvolver uma operação numa região, onde havia um aquartelamento IN.
As densas matas da região dos Dembos era o cenário, e o tema era provocar-lhe as devidas inconveniências: destruir-lhes a logística, persegui-los, e anular tudo quanto nos fosse possível.
O meu grupo, (cinco homens) o primeiro a chegar à zona, é feita de Aloete III. Foi sempre para mim, um transporte muito simpático, e dele tenho boas recordações porque foi através da sua disponibilidade, que no inicio da comissão, na segunda operação, fui recuperado, depois de ter sido atingido no membro esquerdo da minha locomoção. Também agora, não era muito longe do local, aquele em que se desenvolvia mais esta tentativa de os desmotivar dos seus objectivos.
Depois de todo o dia em progressão cautelosa, porque a qualquer momento se espera a chegada das inconvenientes boas vindas, o que não deixou mais uma vez de acontecer, é feito o alto definitivo para pernoitar.
Desenvolviam-se as tarefas que se impunham para que aquele merecido descanso não fosse perturbado, por falta de se tomarem as respectivas cautelas envolventes, quando se ouve como primeiro alerta uns galináceos, seguido de vozes, que por serem pronunciadas em dialecto indigna, nos deixou na mesma, apenas a curiosidade aumentou e a adrenalina subiu ligeiramente. Que estávamos perto do acampamento, era a uma certeza trazida pelos bicos que não era fácil disfarçar. Quase existia um convívio pacífico, entre grupos de pessoas que se digladiavam, não fora a guerra assumida pelas partes, e até era possível, se naquele momento houvesse a hipótese de um compromisso entre beligerantes, do fim das hostilidades.
A juventude era no tempo, um potencial enorme de disponibilidade, de entrega e de disciplina, e foi esta última que fez a diferença na atitude, com que o meu grupo se propunha levar por diante. Foi proposto encetar uma aproximação à zona de onde se tinham ouvido as vozes daqueles inquilinos. O Cte. quase foi convencido, quando já sem as botas para uma deslocação mais silenciosa, lhe sugeria a ideia: avançar com a minha equipa até aos limites que se me afigurassem convenientes, para que de manhã pudéssemos utilizar o factor surpresa com vantagens acrescidas.
Algumas vezes na vida militar me apeteceu contrariar a disciplina, e esta foi uma delas.
Iniciada a progressão do dia seguinte, já com a detonação pelas duas da manhã, da armadilha, que estava colocada no sentido da picada que nos levava ao acampamento, e que a curiosidade de um gato enorme a fez rebentar, serviu milagrosamente os guerrilheiros, denunciando-nos, o que não tinha acontecido como provara os sons emitidos pelas vozes denunciadoras do dia anterior das "diferentes" aves.
No calcorrear da picada, as flagelações foram acontecendo, sem alternativas, que nos proporcionassem, um braço de ferro, e que nos levassem a colocar em prática o que treinámos, mas a que guerrilha se não predispunha, connosco, sim! Porque algumas vezes assim se comportou com os camaradas do exército, dando luta.
Passados mais de quarenta anos, desse episódio, tenho pena que não tivesse havido consentimento, para o colocar em prática, porque os resultados seriam certamente diferentes. Ao mesmo tempo, hoje, mais consciente, ao visualizar mentalmente toda a situação, os cabelos se me coloquem em pé “de guerra” e não por mais virilidade!...

UMA HISTÓRIA SEM FICÇÃO
QUE HOJE ME TRANSPORTOU
PARA ÉPOCA DE MUITA ACÇÃO
ONDE SE MORREU E MATOU

LEMBRAR COM ESTA NARRAÇÃO
EPISÓDIO POR MIM VIVIDO
SEM MÁGOA NO CORAÇÃO
MESMO NÃO TENDO CONSEGUIDO

A GUERRA NEM TODOS POUPOU
MAS O VIVO AINDA É PERSEGUIDO
SEM SABER PORQUE MATOU
SENTE-SE COMO TENHA MORRIDO

UM ABRAÇO PARA QUEM ME LEU
DESTE AMIGO QUE NÃO MORREU

Mário Manso

terça-feira, 29 de junho de 2010

HOMENS QUE NÃO ESQUEÇEMOS

BEM HAJAM CAMARADAS
DAS LANCHAS DE DESEMBARQUE



Os homens que aqui quero lembrar, honrar e homenagear, foram na guerra de África, quem esteve mais perto dos Fuzileiros naqueles momentos decisivos e muitos difíceis de que se reveste um desembarque em zona de combate, onde se morre ou se abate.
Foi apoiado na sua camaradagem e capacidade profissional, que desembarcamos e reembarcamos, muitas vezes. Fosse de noite ou de dia, sempre estiveram prontos a darem o seu melhor para que tudo corresse a contento dos seus fuzileiros. Nunca nos pediram nada em troca, a não ser, que todos regressássemos são e salvos, e isto, nunca se esquece e para sempre na memória permanece.
Foram espectadores de muitas situações quase macabras, quando as suas residências flutuantes, sem indumentária serviram de morgue ou casa funerária.
Sempre que algum camarada quer fosse ou não da Marinha, que da sua logística teve necessidade, mesmo morto, nunca se furtaram a dar o seu melhor até para que na morte, pudesse existir alguma dignidade, foi preciso destes bravos, muita disponibilidade.
Os Fuzileiros, sempre se sentiram muito perto destes filhos da escola, para todos eles, o nosso obrigado por todo o esforço dado em prol dos objectivos de cada missão, em que também eles estiveram envolvidos de corpo e alma. Todos merecem o orgulho que representa para os Fuzos a sua Boina mas, na impossibilidade de vos a impor, serão bem vindos à nossa associação e será para todos nós, um privilégio ter sócios tão especiais como vocês, para que possamos continuar a conviver agora, felizmente numa de paz e harmonia, que por exigências da pátria, nem sempre nos envolveu, e que, de quase todos, parece até, que já se esqueceu. A ingratidão, não é solução para quem deu os melhores anos de vida, ao serviço da nação.
Para todos o meu saudoso abraço.
Mário Manso

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PORQUE ME SINTO ROUBADO E INDIGNADO

1
Este meu país já não brilha
E é a miséria que abunda
É como um barco sem quilha
Que sem comandante se afunda

2
São uns refinados ladrões
Neste paraíso que se trilha
Por cambada de burlões
Não deve ter mãe esta filha

3
Esta terra foi assaltada
Por gentinha sem vergonha
Ceita bem organizada
Com riso cínico na fronha

4
Roubam-nos à descarada
É a torto e a direito
Quase não nos deixam nada
São carteiristas com jeito

5
É tempo da nação acordar
E dizer que já chegou
Se continuarem a roubar
É porque o povo se vergou

6
Cada vez mais sacrifícios
São pedidos a um povo
Com manhas e artifícios
Prometendo um amanhã novo

7
Acreditar em quem mente
E na sua balofa teoria
É certificado de demente
Que passam à maioria

8
Eles andam bem guardados
Tanto gostava de lhes bater
Para mim são renegados
Vou-me continuar a debater

9
Quando a justiça chegar
Já a cambada engordou
E a plebe vai mendigar
Porque já tarde acordou

segunda-feira, 5 de abril de 2010

PÁSCOA AMARGA

SEM AMÊNDOAS PARA CHUPAR
NÃO ME POSSO ENTRETER
POR ISSO NÃO VOU POUPAR
ESSA GENTALHA DO PODER

PASCOA DE AMÊNDOAS AMARGAS
COM QUE O PEC NOS CONTEMPLOU
ESTE GOVERNO DE MÃOS LARGAS
MAIS UMA VEZ NOS ROUBOU

SÃO AMENDOAS DE OCASIÃO
QUE NÃO DÃO PARA CHUPAR
MESMO AZEDAS QUE SÃO
SEMPRE DÃO PARA TRINCAR

Páscoa feliz com abraços ou beijinhos doces.

Mário Manso

quinta-feira, 25 de março de 2010

DEMOCRACIA, FANTASIA, OU HIPOCRISIA?


Quando escrevo qualquer coisa, não tenho outras pretensões que não seja o de dar a alguém que me queira dispensar algum do seu tempo, a hipótese de me chamar os nomes que quiser, se não achou qualquer jeito á treta entretanto trespassada, o que não é difícil acontecer, porque não chega ser Português com orgulho, para que me faça entender como eu gostava. É certo, que todos vamos estando fartos de algumas lamúrias, quantas não são, as crónicas escritas, e bem, por sabedores das matérias apresentadas, mas que afinal, nem essas surdem qualquer efeito.
Seja nos jornais, na TV ou na Net, há uma imensidão de artigos, e confronto de ideias que descamisam, de tal maneira os assuntos, que a ninguém é difícil ver, que está ali uma espiga desnudada, já com os milhos comidos e tudo, mas não acontece nada. A corrupção alastra, a justiça não funciona, ou só, a contento de alguns. Transforma-se mesmo, a verdade em mentira, e quantas vezes o contrario, será que é uma arte? Mas para que as coisas se passem desta maneira, é preciso ter dinheiro ou outro tipo de poder, mas o povo, não tem uma coisa nem outra, ou se tem um desses domínios quando o utiliza está a sufragar os malandros os ladrões os corruptos, ou seja: estamos a passar-lhes os salvos condutos para fazerem o que quiserem, fazendo muito pouco ou nada, do que melhor prometem, mas logo, o de não os podermos chamar pelos verdadeiros nomes, a não ser por aqueles porque estão registados, se é que todos estão! Mas acreditamos, que todos têm pai.
Leva-se a economia à falência, os bancos ficam na ruína, e não se pede contas aos responsáveis, confiscando se necessário, os bens desses descarados artistas medíocres de valores morais. Mas de que princípios são feitas, essas dejectas leis, que só servem para fecundar a grande maioria deste povo, potenciais marionetes nas mãos destes fazedores de legislações, que na sua aplicação cada erudito lhe dá a sua interpretação e quem se f... é o mexilhão.
Encharcam as falências mais convenientes com os milhões, que não lhes pertencem, porque alguns dos depositantes são uns coitadinhos que se fartaram de serem imaginativos, e dar ao coco para arranjarem as ditas e desditas fortunas. Estas injecções são para se salvarem a si, e aos amigos, veja-se se o sr. mais poderoso, ficou entalado! E quantos mais não houve, que terão embarcado naquele comboio imaginativo de alta velocidade? Felizmente, temos as democracias imaginativas, sim!.. Temos as autarquias, para nos darem exemplos de transparência, nada de corrupção, nada de cheques, só com dinheiro na mão. Temos um: que morais! E quantos mais? Sugam os seus Munícipes sem que estes tenham direito a dizer basta, e quando o podem fazer, qual é o comportamento! Elegem-nos de novo. São estes os valores de um povo, que quanto mais mal tratado é, melhor se sente! Será apoiando a corrupção que se salvará a Nação? Povo burro que se move com esta aferição, não merece consideração, e alguns políticos não perdem a ocasião.
É esta a democracia que temos e que de certa forma, funciona paredes meias com as outras, neste mundo de manhosos, e que, em muito pouco divergem entre si. Um homem rouba para comer, leva a sério para exemplo, o outro rouba para aumentar o bolo extorquido e é absolvido. Um levanta a voz contra a pobreza, e deixa de ser uma posição com nobreza, o ladrão atascasse na riqueza e é tratado com delicadeza, outros, sem dinheiro para o transporte, e ao lado vários com carros de porte. Pode-se barafustar dizer que se tem fome, mas nas listas dos contemplados, não existe o nome. É-se atacado, não se pode defender e às mãos do assassino tem de morrer, nem todos tem o direito a se resguardar. A Policia, tem que primeiro levar para poder atirar, mesmo assim, sujeito a processo disciplinar. Um bairro ou uma qualquer zona delimitada, não tem segurança, apenas assaltos, assaltos, e policia nada, enquanto a outros, não lhes falta um minuto que seja do dia o polícia à porta, mas então que democracia de merda é esta, em que uns tem direito a tudo e os outros a nada, mudem esta trapalhada, porque a grande maioria está fora da jogada.
Estou mesmo, muito descrente com certo tipo de gente, e não estou certo que alguém tenha que acertar as contas, porque os exemplos de quem na terra apregoa, que no dia do juízo final todos serão chamados á razão, são parcos de exemplos, para que se acredite que assim será.
Mesmo sendo um mundo “ou seita” de características muito especiais projectora de bons exemplos, "palavras levas o vento" somos constantemente assaltados por notícias cujos progenitores são homens ligados a uma instituição que todos os dias apregoa a palavra de Deus, mas cujas práticas de alguns, são a negação, e não resistem ao poder da luxúria. Nada de pedófilas, ou de convites às suas paroquianas, prometem abstinência a várias coisas, e até à riqueza, e o que é que se vê? Reformas de milhares. Chega-se de burro para tomar conta da paróquia, e passado pouco tempo, transportam-se em portentosos cavalos, essa do olha para o que eu digo, não para o que eu faço, é uma grade treta, com que vão adormecendo o pessoal. Acabe-se com a guerra, gritam aos quatro ventos, mas não terminam com os seus investimentos, nos negócios de armas.
Pergunto: onde há uma democracia sem hipocrisia? Existem várias utopias, mas esta nossa vida é uma realidade, então, que cada um pense, o que está à sua mão fazer, para dar a volta ao texto começando mesmo, por este que acabei de escrever mesmo que nada tenha de didáctico.
Temos que unir esforços, antes que a maioria deste povo seja cilindrado. Será que não merecemos melhor? Então porque não fazer um esforço, as coisas não aparecem se não lutarmos por elas!

Eu vou-me indignando, o que já não é chita.

Um abraço meus amigos.

Mário Manso

terça-feira, 9 de março de 2010

MULHER NÃO MERECIA 4

22
Às mulheres tenho afeição
Mas só as querem tramar
Pretendem mais procriação
Sem ter mãe para mamar
23
Esta burla à juventude
Deixa o veterano chocado
Com políticos sem atitude
Sem na tropa terem passado
24
Não com as mamas no chão
Contra o lodo pressionadas
Exijam um bom colchão
E sintam-se ai saciadas
25
Protejam o vosso peito
E também vosso traseiro
Exijam é mais respeito
E direito ao travesseiro
26
Contra um ataque inimigo
Tem que haver altruísmo
Não se pode correr perigo
Com ataque de histerismo
27
Se houver alguma heroína
Que se venha a candidatar
Se não quer ser feminina
Ninguém se deixe encantar
28
Não tirem a feminilidade
Ao mais belo da mulher
Não é a sua masculinidade
Que o mundo delas quer

Mário Manso

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Minha Música.




James Last Playlist at MP3-Codes.com
Um Grande Abraço Mário Manso.

Não te percas.

"Jamais me submeterei às horas: as horas foram feitas para o homem, e não o homem para as horas."

(François Rabelais)

Mário Manso.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

EPISÓDIOS EM TEMPO DE GUERRA


As mentes dos combatentes têm muitas histórias guardadas, algumas a sete chaves como se costuma dizer. Mas já vai sendo tempo, de lhes darmos asas e as colocarmos a voar.

São muitos os camaradas que retêm ainda muito solidamente, muitos dos episódios em que participaram enquanto militares, que se reportam a momentos vividos na acção da guerra, ou mesmo nos momentos mais descontraídos daquelas horas que preenchiam os períodos de licença, em que muitas vezes se tornavam muito activos, confusos, e violentos até, fruto de uns copos a mais, que não permitiam um juízo apaziguador de uma qualquer inconveniência, ou então, porque se tinha a consciência de que podia ser a última oportunidade que se desfrutava, porque o amanhã, podia ser o último, de um não mais amanhã. A guerra induzia muita instabilidade, especialmente ao nível do comportamento dos militares, antes e depois das refregas que nos era imposta pela actividade dos guerrilheiros.
Tal como a grande maioria, também eu me não envergonho de ter participado em muitas coisas, tenham elas, mais ou menos dignidade, na perspectiva do casuístico espectador, ou dos prevaricadores e participantes na contenda.

E coisas há, de que me orgulho ainda hoje, e para sempre. Os Fuzileiros tinham como princípio, não deixar de fazer os ajuntes de contas que na sua perspectiva entendiam dever ser feitos, “sempre foram de boas contas” foi isso que desta feita, mais uma vez aconteceu.

Para tanto, contribuiu um acidentado episodio, em que um filho da escola, o então cozinheiro do navio hidrográfico Carvalho Araújo esteve envolvido, e que sem querer, (despoletou uma intervenção marginal a qualquer directiva de comando), quando certo dia, usufruindo de mais um dia de licença, vai até São Paulo, “bairro de aluguer de alguns prazeres” composto por gente maioritariamente nativa, para aí tentar uns momentos mais íntimos que o compensassem da falta de tanta coisa que a vida tem, e que a algumas delas qualquer um se sente minimamente com direito, seja através da conquista, da dádiva, ou da compra. Foi a esta última opção que ele se candidatava naquele dia, em que a morte quase o assaltou, e por muito pouco tomava o lugar do prazer que pretendia porque a tragédia esteve perto de acontecer. Ao deslocar-se para o objectivo, foi emboscado e agredido tão selvaticamente, que a intenção, era mesmo liquidá-lo. Infelizmente, isso já tinha acontecido a outros militares do Exército, naqueles santuários camuflados que eram, os muceques que envolviam a cidade de Luanda.

Decorria então o ano de 1964 e estava o meu 6º Destacamento em Stº. António do Zaire, enquanto em Luanda se encontrava outro, em tempo de intervenção, essa unidade estava recheada demais de elementos de “antes quebrar que torcer”, e como uns fazem os outros, muitas vezes o que custa é aparecer a iniciativa, que depois a disponibilidade e empenho de camaradas não falta.

Ao regressar à cidade de Luanda depois de mais uma intervenção em zona da guerrilha, e ao ter conhecimento do tratamento dado ao filho da escola, que não sendo Fuzileiro era como todos os outros, merecedor da solidariedade dos Fuzos, tanto mais, que o camarada era um homem que primava por conviver e estar sempre por perto da malta. Talvez também por isso, resolveram saldar as contas que estavam em atraso até porque se impunha dar uma lição exemplar antes que fosse tarde, e que os juros fossem mais tarde incomportáveis e ficasse como divida para toda a vida, a vida de alguém. Foi planeada então, uma intervenção, e da estratégia constava por fazer incidir em locais diferentes escaramuças, para aí fazer chegar as forças de segurança, as várias polícias “civis e Militares” este primeiro objectivo foi atingido com êxito o que proporcionou o tempo adequado para que a intervenção na zona planeada fosse suficiente sem o inconveniente de engulhos de última hora. “Este bairro era dos que mais confinava com a cidade”

Depois do lançamento do very light à hora previamente estabelecida, deu-se o assalto com algumas armas que se tinham levado, G-3, (desmanchadas em sacos) facas, punhais e granadas. Os objectivos da operação relâmpago foram alcançados e os mortos foram umas dezenas. Toda a rapaziada que interveio regressou à base que naquela época eram as I.N.I.C. (instalações navais da ilha do cabo) sem que alguém fosse apanhado, uns alcançaram as instalações a nado, outros com a colaboração dos taxistas e a compreensão da polícia naval que na única passagem por terra controlava a situação, e que era formada por camaradas Fuzileiros.
Houve dois camaradas pára-quedistas, que fizeram questão de participar. Um deles foi apanhado e esteve preso. Realço uma curiosidade, mesmo que macabra. Um camarada que esteve operacional naquele ajuste de contas, por não ter encontrado a sua navalha da ordem, pediu ao camarada que estava de serviço à porta de armas que lhe emprestasse a sua a que o dito se prontificou, essa navalha foi por ironia do destino a única denúncia da actuação dos Fuzos, por ter ficado espetada no peito de uma vítima. Mas de nada valeu como prova, porque o nº que a denunciava era de um camarada que esteve de guarda às instalações na noite da ocorrência, e ao ser interrogado, disse que a tinha perdido.

Admito algumas omissões, na descrição feita por não ter participado na refrega, mas não me frutaria a ela, por isso aqui estou a tentar dar uma panorâmica o mais fiel possível do que me foi contado. E como é óbvio, não me envergonho de mais uma atitude autónoma e assumida colectivamente, como em tantas outras ocasiões e locais ocorreram, com bons e justos resultados.

Para lá de todas as opiniões manifestadas, mais ou menos severas desta atitude, que então ocorreu, críticos houve, que se deviam despir das asas que abusivamente vestiram e vestem. Os senhores, causadores e sustentadores das guerras, que nunca pagaram as suas facturas, e nunca sofreram as suas agruras, estarão sempre em dívida com algo que tenha a ver com a dignidade, e a defesa da honra. Os Fuzileiros, mal ou bem, têm pago as suas, algumas vezes com a vida, não abdicando de princípios e valores, que incredulamente para alguns samaritanos, nos orgulham!
Mário Manso

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

MULHER NÃO MERECIA 3

15
Às mulheres devemos respeito
Não as queremos na lama
E longe do chão o seu peito
Gostamos delas na cama
16
Se continuarmos desistindo
De princípios que são nobres
Vão os exemplos partindo
E todos ficamos mais pobres
17
Falta muito realismo
A tamanha imposição
E a um falso moralismo
Mulheres nos Fuzos, não
18
Sendo uma vontade imposta
Por algum dito responsável
Só pode ter como resposta
Uma atitude pouco afável
19
Dão ordens às forças armadas
Que das suas águas não bebem
São como crianças desmamadas
Que de leite nada percebem
20
Se nas fileiras entrarem
Não se deve facilitar
Se as quiserem ajudar
Façam-no depois de deitar
21
Não é somente maledicência
Apoio-me no conhecimento
E quando não há consciência
Fere-se muito sentimento
Mário Manso

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A BOINA DE FUZILEIRO

A BOINA AZUL FERRETE
É DOS FUZOS COM ARDOR
NÃO APENAS UM BARRETE
EM CABEÇAS SEM PUDOR

A boina é um símbolo a respeitar
Património de quem muito lhe quer
É preciso sofrer para a conquistar
Não serve para uma cabeça qualquer

Não pode ser desconsiderada
Por tudo quanto ela representa
Deixem-na estar sossegada
Na cabeça de quem ela assenta

A boina não fica dignificada
Cobrindo quem nada sofreu
Porque ao ser conquistada
Honra-se quem por ela morreu

Lealdade orgulho e destreza
São valores de referência
Seria uma grande tristeza
Não respeitar a coerência

Deve cobrir quem a merecer
Os Fuzileiros que a conquistaram
A Marinha não pode esquecer
Do orgulho que nunca mataram

A boina é um valor adquirido
Para milhares de Fuzileiros
É um património muito querido
De que nem todos são herdeiros

Espírito que a não mereça
Não deve dar protecção
Só deve cobrir a cabeça
Que a tenha no coração

A lealdade conquistada
Pela boina nossa rainha
Merece ser respeitada
Por toda a nossa Marinha

A boina aconchega a mente
De quem por ela lutou
Em cabeça que nada sente
É como tiro que a matou

Lágrimas como juramento
Nas dificuldades da conquista
Num percurso de sofrimento
Em que até a vida se arrisca

Na Marinha com tradições
A boina deve ser honrada
Não lhe criem condições
Para vir a ser mal tratada

Estar na cabeça de alguém
Que nem passo por ela deu
É como chamar do além
Quem ainda não morreu

Muito orgulhoso e honrado
Pela boina conquistada
Por ela ter sofrido e lutado
Não deve ser desconsiderada

EX-CABO FZE

Mário Manso

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

UMA OPINIÃO APENAS

CARÍSSIMOS CAMARADAS E AMIGOS:

Quero que saibam, que se me disponho, dedicar muito do meu tempo à Associação de Fuzileiros é porque, ainda acredito que os Fuzos continuam interessados em manter os seus laços de amizade e camaradagem, fortes e indestrutíveis, como sempre os alimentei. No entanto, algumas coisas começam a deixar estes princípios enublados. O mau estar de que me tenho apercebido existir, entre um grupo já organizado, e um outra a caminhar nesse sentido, (zona norte) penso que pode ser fruto e resultado de falta de algum diálogo, pelo menos.
Pontos de vista, opiniões e críticas, são próprios do ser humano, quando se empenha em algo, que não corre, como cada um mais gostava. Tenho a percepção, de que, nem só uma parte é portadora de todas as razões! Um lado e o outro, apoiam as suas atitudes e diferenças, “se as houver” em qualquer coisa que certamente, não é abstracta! Os Fuzos, sempre tiveram capacidade para contornar ou ultrapassar dificuldades, mesmo enfrentado o inimigo, mas o caso em apreciação, não deve ser motivo para contendas entre pessoas que se dizem pertenceram à mesma família, não faz qualquer sentido!... No facto, não está em causa nenhuma herança com valores monetários, mas, está a pôr-se em causa um património muito valioso, que levou muitos anos a construir, com grande sacrifício, mesmo, de vidas, e foram essas atitudes e comportamentos que ainda hoje provocam inveja e respeito, a muita gente, portanto há que dar bons exemplos. Penso que não assiste o direito a quem quer que seja, de abanar estes alicerces construídos por todas as gerações de Fuzos. Tem que ser pacífico para todos, o direito de as pessoas se poderem agrupar, sem agruras ou outros males, porque quando se perspectiva, que isso pode trazer vantagens aos seus aderentes, ou mesmo a outros agregados congéneres, pode até, ser salutar e motivador de mais dinamismo, e que não deixe, o marasmo apresentar-se activo e consequente. Sou, dos que muito cedo apoiou, e continuo a apoiar o núcleo do porto, mas não me custa aceitar, que outros camaradas queiram dinamizar em determinada zona um grupo de fuzileiros que de outra forma, não podiam desfrutar do convívio com os seus camaradas de armas, por razões que se podiam enumerar. Se muitas vezes, não conseguimos gerir de forma racional, as atitudes mais ou menos perniciosas, com o nosso semelhante, acontece, que reacção provoca reacção, e nem sempre o resultado, resulta.
Sermos amigos, tolerantes, dialogantes, e camaradas de verdade, é o mínimo que se deve esperar de todos, sem falsidade.
Por alguma razão os FUZILEIROS SÃO DIFERENTES.

CAMARADAS, AQUI FICA A MENSAGEM
DESTE VELHO, MAS SEMPRE FUZILEIRO
NUNCA EMPENHEM, A CAMARADAGEM
E SÓ O LODO, SEJA O NOSSO ATOLEIRO

Para todos os meus camaradas de armas sem qualquer distinção, um forte abraço anfíbio.

Esta opinião, apenas vincula o autor.

Mário Manso

domingo, 17 de janeiro de 2010

A MULHER NÃO MERECIA - 2

8
Se a mulher estiver de balão
Fica a unidade limitada
Deixando logo o pelotão
Coma a eficiência abalada
9
Não se trata de preconceito
Mas se agora não há guerra
Não tem mesmo qualquer jeito
Transformar candura em fera
10
Em tempos complicados
Tudo seria mais normal
Até ajudavam os soldados
Levantando-lhes a moral
11
Mostra bem a insanidade
Dos políticos de ocasião
Que falam da igualdade
Apenas nisto no resto não
12
Perdem um tempo precioso
Estes pretensos democratas
Não vêm quanto é malicioso
Ter dois sexos nas camaratas
13
Ao emboscarem à partida
Uma força de reacção
É como ter gente ferida
Antes de haver confrontação
14
Há sempre constrangimento
Quando o grupo é desconforme
E se o homem vira jumento
A barriga torna-se enorme

PODEM ESTAR DE ACORDO OU NÃO
MAS É A MINHA OPINIÃO
MESMO HAVENDO ALGUM SENÃO
NÃO DEIXO DE TER RAZÃO

Mário Manso

sábado, 16 de janeiro de 2010

VISITA A UM CAMARADA

Encontrando-se em Elvas em 21 de Agosto de 2009, uma significativa representação da Associação de Fuzileiros por razões de um convite para inauguração de um monumento aos Combatentes, em uma das suas Freguesias, e por haver conhecimento através do camarada Afonso “Gago”que fez parte do Dest nº 2 Angola “Cte. Pontes” de que um elemento dessa unidade se não encontrava bem de saúde, impunha-se a todos fazer-lhe uma abordagem solidária. (mesmo não sendo sócio da Associação) Assim sendo, fomos visitá-lo a sua casa. “zona que é já o limite da sua liberdade” No primeiro contacto, fomos recebidos pela sua esposa, Dona Ana Maria, que de forma muito emocionada, transportava em si uma carga de sofrimento e ao mesmo tempo, de um altruísmo extraordinário. A forma como envolvia o marido era prenúncio de ter saído a sorte grande a este nosso camarada João Mourato Calado. Ficámos muito sensibilizados, com a forma carinhosa como é tratado. Também este combatente, a guerra, foi incapaz de o vencer mas, a tenebrosa doença do Alzheimer, está a envolvê-lo sem dó nem piedade e pouco a pouco o vai asfixiando, o que inevitavelmente, o levará ao fim da vida sem o mínimo de qualidade. Este provocado encontro, só foi possível porque o “Gago” do seu Destacamento se preocupou em dar-me conhecimento do estado deste camarada, e com a colaboração do Óscar Barradas, conseguimos esta visita, isto prova que os Fuzileiros, não abandonam o seu camarada seja em que situação for.
A visita proporcionou-nos uma visita ao seu museu, que se reveste de um espólio extraordinário de peças embalsamadas, resultado das muitas caçadas que fez por toda a Europa,
Esta máxima dos fuzileiros apoia-se na verdade da sua prática, porque são os únicos, que nunca deixaram um camarada para trás, vivo ou morto. Também neste caso, apenas fizemos o que devíamos a um camarada ainda vivo.
Aproveito esta vivência familiar, para dizer a todas as esposas ou companheiras de combatentes, que elas são agora, o nosso apoio mais precioso, e que não há MG ou G3 que resolva, este tipo de guerra. Só a compreensão, o amor e dedicação, lhe pode trazer algum mesmo que rejeitado, conforto.
Sei que o nosso camarada, se encontra já numa situação muito complicada com a doença a impedir-lhe que desfrute do mínimo de dignidade.

Mário Manso

FOTOS ALUSIVAS

ESPERANDO A CHEGADA DO CAMARADA
JÁ EQUIPADO COM OS MIMOS OFERECIDOS
MOSTRANDO A OFERTA
PEQUENA PARTE DO SEU MUSEU
OS CAMARADAS APRECIANDO ALGUNS TROFÉUS
UMA MARAVILHA
ENVOLVIDO PELO OLHAR ENTERNECEDOR DA ESPOSA
SEM ESPAÇOS DISPONÍVEIS
CAMARADAS DE ARMAS AMIGOS E ELVENSES
OLHANDO A ÁGUIA QUE TAMBÉM JÁ NÃO VOA
UM OLHAR JÁ SEM FUTURO
NEM O URSO LHE METIA MEDO
JÁ PRÓXIMO DA DESPEDIDA
COLOCANDO O RAMO DE FLORES
ESPERANDO PELO RANCHO
SENTI-ME EM ÁFRICA

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A MULHER NÃO MERECIA -1

1
Sinto uma grande tristeza
E não havia necessidade
Quererem esbater a dureza
Só por alguma vaidade
2
Mulheres, nós não queremos
Nas vertentes operacionais
Se os valores não perdemos
Nos Fuzileiros estão a mais
3
As mulheres não estão talhadas
Para os Fuzos no seu todo
Iam ficar muito atrapalhadas
Estando com período no lodo
4
E na pista de combate
O pau não é fácil encaixar
Porque na hora do embate
As mamas não vão deixar
5
E no transporte de feridos
O que é que vai acontecer
Ficam os peitos comprimidos
E algo começa a crescer
6
Todos sabem que não serve
Mas continuam persistentes
Quem as tem que as conserve
Para os Fuzos indiferentes
7
Os Fuzos são estimulados
Com uma prova de fama
Que os deixa preparados
Para fazerem do lodo cama

Me desculpem a brincadeira.

Mário Manso

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

HISTÓRIA MAL CONTADA

ANTÓNIO MILHEIRO VARANDAS
TAMBÉM MUITO MAL AVALIADO
POR MENTES EM DESMANDAS
QUASE FICAVA SITIADO

UMA HISTÓRIA MAL CONTADA
ESCRITA POR UM TRAMBIQUEIRO
MERECE MAIS ESTA BOFETADA
COM HONRA DE FUZILEIRO

ENTRASTE PELA PORTA GRANDE
CONFESSO: SENTI ABALO
AGORA NADA ME IMPORTA
SAÍSTE PELA DO CAVALO

No passado dia 6/11/09 ao entrar em minha casa fui interpelado, em tom inquiridor, pela minha mulher, que me perguntou o porquê de eu já não ir tantas vezes à Associação como ia.
Respondi-lhe que a Associação estava a ser gerida por uma comissão administrativa com a finalidade de preparar a Assembleia Geral para eleger os órgãos Sociais, uma vez que tinham sido dissolvidos os anteriores por razões que eu próprio não entendi.
Reparei que, enquanto eu dava a explicação, a minha mulher ia meneando a cabeça em sinal de que não acreditava no que eu dizia.
Quando terminei, ela “sacou” duma carta que até ai tinha mantido escondida, entregou-ma e disse: não será por isto?
A carta já estava aberta sinal de que a minha mulher já sabia do seu conteúdo. Entre nós não há segredos.
Procurei o remetente. Lá estava o nome do imbecil que a remeteu. O que diria aquela carta para a minha mulher estar deveras perturbada, ao ponto de me dizer: é por isso que vocês gostam de lá andar, para se meterem com as filhas dos outros.
Gelei! Não por medo ou por qualquer divida que me viessem cobrar. Nada devo, nada temo.
Contudo ali estava eu pasmado diante da minha mulher sem saber o que dizer. Eu, um homem acostumado à guerra, com duas comissões na Guiné e outra em Moçambique para além dum curriculum enorme na área da instrução, desde Recrutas até aos Cursos de Oficiais e Cadetes, com quem muito aprendi e ensinei, que me preso de nunca maltratar ou ser maltratado, ali estava eu parado no tempo, cojitando. Que mais dirá esta carta?
Senti nojo desta gente e de quem lhe apara os golpes!
Numa tentativa de acalmar os ânimos, e uma vez que o que mais parecia preocupa-la era o caso da funcionária, porque nós também temos uma filha, fui dizendo que se calhar a rapariga também tinha alguma culpa e agora atirava com ela para cima do homem.
Foi pior a emenda que o soneto.
Resposta pronta: é dessas que vocês gostam! Dessas malucas!
Naquele momento sentia-me mal. Muito mal.
Já tinha ouvido dizer que o cretino era mentiroso e perigoso. Se dúvidas houvesse elas deixariam de existir.

Por causa de um perigoso inconsciente ali estava marido e mulher desentendidos, sujeitos a deitarem por terra uma vida conjugal de 44 anos, se não houvesse bom senso.
Com a divulgação daquela carta ficou a descoberto o que sempre quis tapar, o que não deviam ter feito. Quis proteger alguém e acabou denunciando. Lamentável!
Para além das várias ofensas que me faz, a mim, e a outros camaradas, que posteriormente tive conhecimento que também eles receberam a carta, penso que de igual teor, o “dito cujo” acusa-me de participar na reunião aonde a ex. funcionária disse o que disse, e no qual acredito.
Como é do conhecimento geral sempre que podia comparecia nas reuniões de que tinha conhecimento, e foram muitas, só não participando naquelas onde só a Família Castrense tinha lugar e conhecimento. Essas sim ilegais.
Quanto ao ter assinado o documento, apenas digo que sempre assinei a minha presença em todas as reuniões em que participei.
Se tivesse havido tino, aquelas declarações não passariam, provavelmente, do arquivo. A pessoa que declarou, desabafou, e por ai se ficaria… Certamente.
Assim… Assim tudo pode acontecer.
Apenas respondo por mim. Por aquilo que digo e por aquilo que faço.
Tanto quiseram esconder o gato que lhe deixaram o rabo de fora. Alguém é responsável por isso.
Que respondam.

Nota: esta carta, onde a realidade e ficção se fundem e confundem, conta uma história dramática só não acontecida, por eu ser conhecedor dos passos do carteiro e estar prevenido. Não fora a prevenção, e a missiva que o cafageste me endereçou cairia nas mãos da minha mulher, e ai, a história deixaria de ser ficção. Tenho a certeza que ninguém duvidaria dela.
A história passaria como uma verdade absoluta, cuidado com as verdades absolutas.

António Milheiro da Piedade Varandas

MALEDICÊNCIA APENAS!..

Por falta de oportunidade, não me tem sido possível contrapor à ideia fixa de um camarada que se intitula um Fuzileiro dos quatro costados. Sem querer desestabilizar a nossa amizade, de quase meio século, não quero no entanto, deixar de manifestar o quanto estou em desacordo, quanto às ferroadas, com que vai tentando denegrir a missão da nossa, mas também dele, Associação de Fuzileiros.

Existe um sentimento muito generalizado com o qual me congratulo, que é, a de que a Associação é de todos os Fuzileiros, o que mostra bem o espírito de corpo que existe entre a maioria de nós. Sendo certo que a prática corrente, é a de que as instituições associativas são dos seus sócios, na nossa o sentimento é de facto mais abrangente. E uma das provas mais recente que dá ênfase ao que acabei de dizer, foi o facto, de ter falecido um camarada que terá feito pelo menos duas comissões na guerra do ultramar,e para que tivesse, um funeral com o mínimo de dignidade, teve que o valor pago á funerária sido assumido pela Associação,(da qual se fez sócio em tempos, mas sem nunca ter pago as quotas) porque ninguém se apresentou com disponibilidade para o efeito. (vivia abandonado na ilha da culatra) Julgamos que este caso é paradigmático, e se duvidas houvesse, dá sustentabilidade à nossa máxima, de que, os Fuzileiros nunca deixaram um seu camarada para trás. Sinto-me pois muito honrado, pela atitude assumida pelo camarada que com ele fez uma das comissões, depois de saber do seu estado de saúde, o foi ver ao hospital, e deu conhecimento ao Presidente da nossa Associação das dificuldades entretanto conhecidas, fruto também do seu empenho. Foi assim, que de posse do problema, e por não haver quem o resolvesse, que a Associação de Fuzileiros em inextremo, resolveu o problema, substituindo assim o estado a quem competia ter solução para esta situação calamitosa, e vergonhosa, a para tantas outras, envolvendo ex combatentes a quem a guerra destruiu os alicerces psicológicos, para poder enfrentar, e lutar por uma vida com um mínimo de dignidade. É triste que continuadamente pouco ou nada faça pelos que necessitam, muitos dos quais sem abrigo.
Servirá este facto, para dizer ao camarada maldizente, de quem não menciono o nome, porque tal como eu, que sou o Esquelas, ele tem um nome de guerra do qual sou o padrinho, o qual descrito, facilmente se iria detectar este meu amigo mordaz, e ao mesmo tempo semi-inimigo, porque vou militando na Associação, à qual concorreu em tempos, mas por não ter sido a lista mais votada, terá mandado às urtigas os objectivos a que se propunha. Portanto, dizer-lhe que independentemente de lhe assistir o direito, de achar menos gratas, a presença nos corpos sociais da Associação de Fuzileiros de determinadas pessoas,é importante perceber que ela (Instituição) está acima de tudo isso, e delas não tem culpa.

O que seria de Portugal, se todos os que não votaram o Presidente da República ou o Primeiro Ministro, abandonassem o País?

Então aqui vão estas palavras, já bolorentas mas infelizmente, actuais.

O BOATO O BOATINHO E A BOATIÇE
É SEMPRE UMA GRANDE CHATICE
PORQUE IMPREGNADO DE MALDADE
SÓ FALA DE MEIA VERDADE
DE RESTO É SEMPRE ALDRABICE
SÃO ESTES ESFORÇOS PERDIDOS
QUE NÃO PASSAM DA INTENÇÃO
SÃO EMBUSTES MAL GERIDOS
MAS QUE GRANDE CONFUSÃO
NÃO SENDO O MELHOR CAMINHO
É UMA PÉSSIMA SOLUÇÃO
FOGE DESSA ESTRADA CAMARADA
OUTROS TRILHOS ESTÃO MAIS À MÃO
NEM QUE SEJA UMA PICADA
PODE ESTAR MENOS MINADA
NÃO TE ASSISTE QUALQUER RAZÃO
SAI-ME DESSA EMBOSCADA
VAMOS LÁ! NÃO SEJAS REFILÃO
COM ESSA VEIA AMARGURADA
NÃO CONTRIBUIS PRÁ SOLUÇÃO
ESSA AUTO ESTRADA SATURADA
SÓ NOS TRAZ MAIS POLUIÇÃO
AMBIENTAL E SONORA
FANFARRONICE NÃO LEVA A NADA
TU, BOATO, MANDA-O EMBORA
NÃO LHE PASSES CARTÃO CAMARADA
E TUDO TEM UMA HORA
PARA UMA ACÇÃO DETERMINADA
ATÉ A VIDA QUE SE CHORA.
QUANDO ESTAVAS ACTIVO NA ARMADA

MÁRIO MANSO, TEU AMIGO PARA SEMPRE

sábado, 2 de janeiro de 2010

COINCIDÊNCIAS OU NÃO, ERA A POBREZA SEM PÃO

É descrito no livro Fuzileiros Força de Elite, os inícios de vida de três jovens antes, de se alistaram como voluntários na Marinha. Achei interessante estas palavras que me foram enviadas através de um email por este camarada Fuzo. por isso esta postagem.

Nasci a 27-01-1947,junto à serra de Montejunto, filho de pai que quando sóbrio, trabalhava na agricultura, e de mãe que fazia das tripas coração para me dar algo para que não passasse fome.com duas irmãs mais velhas: uma já tinha saído para servir como se dizia nesses tempos, a outra ainda estava em casa pois só tinha sete anos; Passados que foram outros sete, veio ao mundo a última dos quatro, para ajudar a comer os restos. Fui para a escola, fiz a quarta classe, com 11 anos, e na semana seguinte eis-me a caminho de Alenquer, como vendedor de leite, de porta a porta, com uma caneco de aço inox e respectivas medidas ás costas, durou pouco este emprego, que era com cama comida e roupa lavada, a comida era composta quase em exclusivo por abóbora carneira, que me deitou abaixo das canetas, e assim, regressei á terra; logo de seguida para não arrefecer e como era um período em que havia muito trabalho no campo, altura da poda das vinhas, aí vou eu para a quinta do ricaço da zona trabalhar de sol a sol, daí passados cerca de três anos foi a minha casa um senhor que tinha uma padaria em Paredes de Alenquer, falar com a minha mãe para eu ir trabalhar para ele(o meu pai tinha-se entretanto suicidado), e aí vou eu ,também como interno para uma nova aventura, primeiro como vendedor, de porta a porta, com um ceirão em cima dum burro e pelas encostas da zona, lá andava eu vários kilómetros por dia, passado algum tempo, passei a ajudar a fazer o pão, mas continuava na distribuição ,normalmente ia agarrado ao ceirão do pão e nos vários percursos onde não havia casas ou clientes cantava ou assobiava para não dormir, mas ás vezes era traído pelo sono e ia andando e dormindo o burro deixava de me ouvir , parava e lá batia eu com a cara no rabo do burro, e é de salientar que quando começava a venda, era noite, por volta das cinco da manhã, chegava a casa ,almoçava e seguia uns dias á moagem á farinha outros à lenha com a carroça com dois burros, por duas ou três vezes que me despedi mas o patrão passados alguns dias lá me ia convencer a regressar o que até nem era muito difícil pois ao fim d alguns dias de enxada na mão, já estava farto dela, e foi este o meu fado, também me deram um percurso alternativo para a venda, quando o meu colega foi para a tropa, tiraram o motor a uma motorizada que tinha também pedais e aí vou eu, aquilo só o peso da bicicleta já chegava para carregar um homem quanto mais com os cestos carregados mas enfim já era uma melhoria, passar de burro para bicicleta, até que, acabado de fazer dezoito anos sou desafiado por um vizinho a alistar-me na Marinha, pois com esta idade já podia ir como voluntário, nem esperei mais, fui saber das papeladas que todos tivemos que tratar, e eis-me Fuzileiro, ficando acampado no campo de futebol do Alfeite a partir de 17-03 1965, até as casernas em Val de Zebro estarem prontas. A minha estadia nos Fuzileiros foi um desastre total conforme já contei no blogue da Companhia 2 de Fuzileiros.
E agora Camarada e Amigo Mário Manso, perguntas porque é que este gajo me vem com esta história? Pois a explicação é simples, acabei de ler um livro que comprei á cerca de duas semanas na nossa Associação, e achei a história daquele rapaz chamado Esquelas, com algumas semelhanças com a minha, pelo menos até á entrada para os Fuzileiros, que não me contive e achei por bem compartilhar contigo esta minha história.

Recebe um grande abraço, com votos de Boas Festas
Virgílio Miranda

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

É A RAZÃO DAS MINHAS RAZÕES

Mulheres nos Fuzileiros, não! Obrigado.

Poderia começar por dizer, não na lama, sim na cama. Mas como tenho o maior respeito pelas mulheres, nem sequer quero colocar em causa as suas capacidades, seja onde for. Mas sinceramente, eu gostaria de saber que mais-valia trazem há operacionalidade das Forças Armadas, muito especialmente, nas suas forças de elite? Penso, que ninguém com bom senso, encontrará razões razoáveis, que leve a aceitar de ânimo leve a sua incorporação nessas forças. É apenas, uma das muitas formas levianas, que os politiqueiros da nova geração encontraram, para mostrarem uma vertente democrática dando satisfação a um real; fadista que nem sei se terá feito o serviço militar, e se o fez, não deve ter sido a dar e levar, mas talvez só, a cantar. Infelizmente, temos um país cheio de papagaios que vão conseguindo dar música, embalando e anestesiando uns quantos. Quererem mostrar que estão a dar vida à democracia desta forma, é uma pura hipocrisia. Mas será, que não há outras decisões muito mais importantes e prementes, a que deviam prestar mais atenção! Essa frase “dignificadora” do ser humano, todos diferentes, todos iguais aplica-se nos direitos e nos deveres! Mas afinal, quantos atropelos não são feitos nessa matéria, todos os dias! É na prática, uma treta, que de forma indiscriminada, se franqueiem as portas a torto e a direito (Como se as forças armadas tivessem alguma semelhança com as docas) apenas porque talvez faça jeito a alguns mandantes no encaixe de algumas mulheres em lugares para os quais, sinceramente, não estão vocacionadas. É errado, acrescentar mais problemas às Forças Armadas, porque pela sua natureza, já lá estão instalados, e nada justifica agravá-los.
A destreza com que determinadas forças devem enfrentar as situações, para o qual foram preparados, não se compadece com umas quantas interessantes perfeições anatómicas das mulheres. (Está dispensada do lodo e da piscina por causa do período, não faz o obstáculo tal e tal) Porquê? Pois é! Rastejar por debaixo do arame farpado também não, porque as mamas não facilitam nada e se forem avantajadas, pior. Mas afinal como é? A igualdade fica logo distorcida, e a instrução comprometida. De que forma é que se justifica, os gastos com as adaptações, que são necessárias fazer para albergar as mulheres? Quando os cortes em coisas essenciais, para que as pessoas tenham alguma qualidade de vida, é o pão-nosso de cada dia. Mas aí, não se importam com a falta de igualdade, dos direitos, e da tal hipocrisia que é admitida na nossa democracia.
Fiz duas comissões na guerra colonial e se transportar este folclore, com as personagens que lhe querem impor, para esses tempos, quer nos teatros da Guiné, Angola ou Moçambique, digo sem faltar à verdade que não, porque houve muitas situações, que não comportava a inclusão do sexo feminino. Por exemplo - a operação de 76 dias na ilha do colmo na Guiné, estar por exemplo algumas horas debaixo de fogo, transpor o tarrafo, ou ficar enterrado na bolanha nos diques do arroz, ou entrar noutras, de 10 e mais dias, nas matas ou rios das outras províncias. Há muitas outras formas de lhes manifestar simpatia, sem as expor às incongruências da guerra para que ninguém foi talhado. Os constrangimentos que a vertente feminina trazem às forças especiais, são muitas, e fortemente limitativas à disciplina, logo, ao bom desempenho que se objectiva.
Não quero deixar de manifestar todo o meu respeito e apreço, pelo trabalho desenvolvido no apoio aos feridos, pelas enfermeiras pára-quedistas ou de todas as outras que desenvolvem as suas tarefas nas forças armadas, mas protegidas das situações mais musculadas de tais forças.
Não estamos em guerra, nem falta pessoal (porque até deixou de ser obrigatório o serviço militar) para que seja necessário incorporá-las nas forças de elite, muito especialmente, pela protecção que o sexo feminino merece, é coisa que pouco ou nada as dignifica, ou o País carece.

Irei trazer nos próximos dias a situação a que aludo, também de forma versada.
Muito respeitosamente.

Mário Manso